A comparação entre as duas tabelas é muito, muito divertida. 51,7% dos eleitores admitem votar num poste do Lula, mesmo sem conhecê-lo. 27,4% querem conhecer o poste, o que é muito natural. Só 16% não votariam no indicado do presidente.
Já o ex-imperador Fernando II... coitado! 49,3% não votam em quem ele indicar, de jeito nenhum.
É novidade. A pesquisa CNT Sensus montou umas chapas de presidente e vice, para ver como influenciaria o eleitor. Como era de se esperar, a chapa Serra/Aécio é muito forte. Afinal, são os governadores dos dois maiores estados do país.
Tem uma certa pressão para o Aecinho ser vice do Serra. A pesquisa vem reforçar isso. E o Aecinho é besta? Para ele, é melhor ficar de fora, vendo a briga - e torcendo discretamente pela Dilma. O cara ainda é novo. De-tes-ta o Simpatia. Não tem vocação para vice. Melhor a direita escolher logo: ou é um, ou é o outro.
O Michel Temer, ao que parece, não agrega muito. É verdade. O mordomo do Drácula não é nenhum campeão de popularidade. A pesquisa não pode medir, entretanto, a influência da coligação com o PMDB: tempo de televisão e milhares de prefeitos e vereadores.
Serra desce, Dilma sobe. Já é uma tendência. No cenário mais provável, estão distanciados por 10 pontos percentuais. Já foi uma diferença de 30 e tantos, não faz muito tempo: Serra na casa dos 40%, Dilma abaixo de 10%.
Como eu disse, isso ainda não significa muita coisa. Dilma é menos conhecida, à medida em que ela aparece na mídia sua candidatura ganha corpo. A última queda do Serra parece estar ligada à candidatura de Ciro Gomes. Faz sentido. Eles têm jeitão de disputar a mesma faixa do eleitorado. Já a Dilma, não. A Dilma é o poste do Lula.
Tanto tempo antes, o melhor indicador é o voto espontâneo, quando o pesquisador pergunta em quem a pessoa votaria, se a eleição fosse hoje, mas não apresenta nenhuma lista. A escolha espontânea representa uma intenção mais consolidada. Os índices são naturalmente mais baixos. Muita gente - a maioria - ainda não está nem aí para a eleição. Talvez por isso a imprensa livre não goste muito e quase não divulgue a tabela. Talvez haja outros motivos. Vejamos.
Os 18% do Lula impressionam. Primeiro, porque numa questão espontânea é muito. Mas também porque Lula não é candidato, não pode ser candidato, e é provavel que muita gente saiba disso. Numerozinho desagradável para a oposição. Chato também é ver o Serra, apesar de todo recall, estar ali onde está, com a Dilma bufando no cangote.
Foram entrevistadas 2 mil pessoas, em 136 municípios, com cotas para região, município, urbano/rural, sexo, idade, escolaridade e renda. Com 95% de confiança, a margem de erro é de mais ou menos 3%. Isso quer dizer que, fazendo 100 pesquisas iguais, pelo menos 95 ficarão dentro da margem de erro. As entrevistas foram feitas de 16 a 20 de novembro, depois do "apagão" e de toda a gritaria da imprensa livre. Mas não tem pergunta sobre o assunto. Portanto, não dá para medir a influência do incidente sobre o resultado.
Ontem saiu a última pesquisa. Deixei para comentar hoje. Não sem uma advertência preliminar: há um ano das eleições, pesquisas dizem pouco. Ao menos numa leitura rápida, focalizando quem está na frente, quem cresceu, quem caiu. Deixemos isso para agosto, setembro. Quando a campanha esquenta para valer. Pesquisa, hoje, tem que saber peneirar. Achar indicações aqui e ali. É o que vou tentar fazer.
Outra coisa: não sou fã de teorias conspiratórias. Desconfio do Ibope, o Montenegro faz política demais para quem é dono de instituto de pesquisa. De um modo geral, acho que as pesquisas erram aqui e ali, podem ter metodologias mais ou menos confiáveis, mas é difícil imaginar uma conspiração envolvendo tantos institutos concorrentes.
Eu ia para o Rio com a Eliete, na próxima quarta. Pintaram uns probleminhas por aqui, nada sério, mas não vai dar. Rio, agora, só em dezembro, para o Natal. Estou com saudade até do calor senegalesco.
Obama falou e disse. Foi numa palestra para estudantes de Xangai:
"Vou ser sincero: como presidente, às vezes gostaria que as informações não circulassem tão livremente, porque assim não teria de ouvir pessoas me criticando o tempo todo. Mas, como nos Estados Unidos há liberdade de informação, e eu tenho muitos críticos que falam tudo o que querem contra mim, acredito que isso faz a nossa democracia ficar mais forte e faz de mim um líder melhor, porque me obriga a ouvir opiniões que preferiria ignorar".
O falecido Noblat postou. Fez muito bem. A fala é boa. Só que o título que o finado tascou foi o seguinte: "O que Lula deveria aprender".
Como assim? O Lula já falou a mesma coisa, com outras palavras, milhões de vezes. E se o Lulinha diz que "gostaria que as informações não circulassem tão livremente"... ai... era linchamento, na certa. Dane-se o contexto.
A melhor foi do Carlos Alberto Sardenberg, na CBN. Esse consegue se superar a cada dia. Para o Sardenberg, se o Lula recebesse o presidente da China, que negocia muito com o Brasil, tudo bem. Mas o Ahmadinejad??? O Irã tem pouquinho comércio com a gente.
Ou seja: ditador rico, tudo bem. Ditador pobre, solta os cachorros nele!
Hoje chega aqui em Brasília o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se é que eu escrevi certo. Está chovendo protesto. Não, nada de multidões enfurecidas na Esplanada dos Ministérios. Os protestos se resumem à imprensa livre.
Diz que o cara é ditador. E que nega a existência do Holocausto. É... O Ahmadinejad é mesmo barra pesada. Só que na semana passada estava aqui o Shimon Perez, trocando rapapés com o Lula, e todo mundo achou legal. O Perez não nega o Holocausto, ao contrário. Ele prefere promover o seu próprio genocídio, logo ali na Palestina.