Os cinco últimos posts do blog do Josias de Souza - leia-se Folha de SP - são dedicados a esculhambar o presidente do Senado. E é cada tijolaço... no total são 13 (treze) telas do computador. Ninguém aguenta ler. Para com isso, Josias! Você acaba me fazendo simpatizar com o Sarney.
Pelo menos 35 sites dos Estados Unidos e da Coréia do Sul sofreram ataques simultâneos de hackers. Nos Estados Unidos pegaram o site da Casa Branca, o do Departamento de Defesa, o da Bolsa de Valores de Noviorque, entre outros. Na Coréia, o site da Presidência, o do Ministério da Defesa, o do Parlamento, o do maior portal de acesso do país e mais uns tantos.
Está tudo bem. Já descobriram o culpado. Não, não foi um grupo de adolescentes dos dois países que combinaram tudo no Facebook. A culpa é do Kim Jong Il, Kum Ji Ling, King Kong Li, um troço desses. Ele mesmo: o chefão da Coréia do Norte. Cansado de soltar mísseis e construir bombas, o maluquete resolveu brincar de outra coisa.
Parece aquela fala do filme Casablanca: "prendam os suspeitos de sempre!"
Se não deu para entender, esclareço agora. Não pretendo negar as evidências do aquecimento global. Tudo indica que este está ligado a emissões de vários gases, em especial o dióxido de carbono. O fenômeno tem início na Revolução Industrial.
Só não gosto nada de catastrofismos. O apocalipse vem sendo constantemente adiado, desde o ano 1.000. Também não gosto de unanimidades, todas burras, como já dizia Nelson Rodrigues. Gosto menos ainda de catrastofismos unânimes. E simplesmente detesto unanimidades catastrofistas que mal encobrem seus patrocinadores.
Nesse papo colonialista, quer dizer, ambientalista, o Brasil é um caso à parte. Aqui temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, toda baseada em hidroelétricas. Se o país tem alta emissão de carbono, é por causa do desmatamento.
É muito diferente da China, por exemplo. A gente tem o maior interesse em diminuir a emissão de carbono. Para contribuir com o controle do aquecimento global. E para impedir a destruição da Amazônia, tesouro de biodiversidade.
Resta saber para onde vai a madeira e a carne produzidas pelo desmatamento ilegal. Desconfio que boa parte é exportada. Para o Primeiro Mundo. Na melhor das hipóteses, a carne e a madeira certificadas vão para a exportação, e sobra mercado interno para os produtos sem o selinho. Elementar, meu caro Watson.
Nos anos 70, o papo era a "poluição". Assim genérico. Depois veio a tal da camada de ozônio. Hoje os chamados ambientalistas estão se lixando para o ozônio. Só se fala em aquecimento global.
Por coincidência, ou não, foi na década de 70 que começaram a exportar as fábricas mais sujas para o terceiro mundo. A preocupação se voltou para o ozônio quando as indústrias queriam implantar novas tecnologias, sem CFC, em geladeiras e condicionadores de ar. E o aquecimento global só virou problema quando países emergentes começaram a competir pesado no comércio global, com fontes de energia já ultrapassadas nos países ricos, e que poluem mais. A China, por exemplo, usa carvão direto. Que nem a Inglaterra da Revolução Industrial.
A China é o país que mais emite gases dos efeito estufa. Pudera, tem a maior população do mundo. A emissão per capita é muito menor que a dos norteamericanos ou europeus. Mas o problema é a China. Por causa da poluição? Ou é porque produz mais e mais barato?
Agora os emergentes recusaram a proposta do G8 para controle do aquecimento global. Os ricos querem "compartilhar" suas metas de redução de gases. Eles diminuem o muito que soltam na atmosfera. Os pobres diminuem seu pouquinho. Por que será que não criam metas per capita? Assim, ó: cada país só vai poder soltar "xis" de carbono por pessoa.
Para o presidente da Índia, "o enfrentamento da mudança climática não pode ser obtido pela perpetuação da pobreza". Lula também soltou o verbo: "os países ricos exigem que os países pobres sejam responsáveis pela redução da poluição do planeta."
Os ricos ficaram ricos destruindo o meio ambiente sem nenhum controle. Agora se arvoram a controlar os pobres. Estes que continuem pobres. Querem que a China solte menos carbono? Então paguem a construção de usinas atômicas, eólicas, solares, sei lá o quê. O banquete foi deles. Agora a conta é nossa?
A vida da Ruth, minha mãe, terminou às 8 horas e 32 minutos da sexta-feira.
Não foi uma vida excepcional. Mas foi uma vida inteira, produtiva e intensa. A menina queria ser médica, mas o pai não deixou. Era o Brasil dos anos 30. Então ela se formou professora primária no Instituto de Educação. Foram mais de 25 anos de sala de aula, estropiando a cordas vocais. Em geral ela educava as crianças das favelas, dos subúrbios longínquos, dos bairros mais pobres. Já aposentada, volta e meia encontrava um ex-aluno trabalhando de atendente no supermercado, ou de caixa no banco, uma coisa assim. Gente do bem. Trabalhadores honestos. E que sempre reconheciam a antiga mestra. Nessas horas, os olhos da Ruth brilhavam. A Ruth tinha uns olhos verdes com raios amarelos, olhos de gato.
O interesse pela medicina, somado à experiência com centenas de crianças, fez dela uma pediatra prática. Muito antes dos doutores, diagnosticava as doenças infantis dos meus filhos. "É uma virose", dizia o doutorzinho. "Caxumba", cravava a Ruth. Batata. Depois de um dia ou dois inchavam os gânglios. Era caxumba.
Minha filha Tereza é disléxica, mas tem uma letrinha até boa, de tanto que a avó treinou com ela em cadernos de caligrafia. "Essa menina tem dislexia." E a psicóloga: "que nada." Precisava desempatar. Levei Tereza em São Paulo para fazer o teste. Dislexia severa. Previsão de uns 10 anos de psicopedagoga e fono. Mas quem descobriu foi a intuição de mestra da Ruth.
Com seu curso de segundo grau, minha mãe deu aulas aos filhos e netos até o vestibular. Só não ensinava física. O resto era com ela mesma. Com quase 60 anos, voltou a estudar e se formou em teologia e em filosofia. Com 70 anos, dava aulas de lógica na faculdade. Com 75, mantinha um grupo de estudo de teologia. Com 80, era aluna de francês.
A história dos seus pais dava um livro. Sem exagero. Manuel era atleta, remador do Vasco, campeão sul-americano de single skiff. Luciana tinha tuberculose. Na época, era sentença de morte. A família do meu avô não aceitava o casamento de jeito nenhum. E quando Luciana engravidou os médicos não queriam deixar o bebê nascer. A Ruth nasceu saudável, mas sua mãe não viveu muito mais. Elas nunca se conheceram.
Talvez por isso, a Ruth foi super-mãe dos dois filhos, super-avó dos quatro netos, super-mestra dos alunos. Durona e exigente. Mas antes de tudo cuidadora. Quando eu passei meses no hospital, ela praticamente se internou junto. Só saía da cabeceira da cama aos domingos: levava a mala com roupa suja, trazia a mala com roupa limpa, no intervalo assistia à missa e pegava um cineminha. E muito mais tarde, quando seu marido adoeceu mortalmente de velhice e tristeza, ela foi a super-mãe dele também.
Mamãe morreu cinco anos depois do meu pai, e foram cinco anos de lenta decadência. No final ela andava muito irritada com a falta de mobilidade e a dependência dos outros. A vida toda ela cuidou, agora era cuidada. Não tinha o costume.
Existe céu? Se existe, ela agora está dando aula para os querubins, aconselhando Maria, tomando conta de Jesus. Esse menino é muito rebelde.